Há alguns dias, no ambiente de trabalho, presenciei uma situação em que um grupo de pessoas havia formado um juízo bastante desfavorável em relação a uma pessoa que eu conhecia e com a qual convivia diariamente. De certa forma, elas tinham uma parte de razão — o colega em questão havia, de fato, cometido um deslize. Porém, os comentários que estavam sendo feitos indicavam que ele perderia uma grande oportunidade por conta desse erro, cuja gravidade não justificava, de forma alguma, tal rigor.
Um único deslize, e, a partir dele, se firmou um juízo e uma decisão foi tomada — e senti um pesar muito grande por isso. Recordei então de um ensinamento logosófico que procuro ter sempre presente: “Jamais se arrependerá ninguém de falar bem de seu próximo”.
Procurei não contestar aquela opinião formada, até porque, ele de fato havia cometido um deslize. Mas decidi então relatar todos os aspectos positivos daquela pessoa, o quanto ela havia me ajudado, da sua pontualidade, da sua responsabilidade, da sua honestidade. E levando em consideração todos aqueles aspectos, eles poderiam ao menos conhecê-lo melhor e dar a ele uma oportunidade. E felizmente a situação se reverteu; foi dada a ele a oportunidade que, até o momento, tem sido honrada por ele.
Guardo sempre esta experiência, pois através do estudo da Logosofia, pude evitar o cometimento de um erro: facilmente poderia ter me deixado levar pelos comentários que ouvi. Ou poderia ter me omitido — ter ciência das consequências e ainda assim me omitir — esse, talvez, um erro ainda mais grave. E permitiu que eu, no meu sentir, tivesse produzido um pequeno acerto.
Há uma imagem muito bonita de Raumsol, criador da Logosofia, que está num livro que foi publicado através de cartas que ele escrevia para o seu filho, chamado “Bases para tua Conduta”, na página 22:“Toda ação realizada conscientemente, no sentido do bem, é uma poupança que acumulamos nesse grande Banco de Crédito Universal que registra nossas dívidas.”